Investigação sobre casos de botulismo após aplicação de botox segue sem conclusão seis meses depois em Três Pontas

03.02.2026

Vítimas cobram respostas enquanto Polícia Civil aguarda laudos periciais para concluir investigação.

Mais de seis meses após as primeiras notificações, a investigação sobre casos de botulismo iatrogênico em Três Pontas (MG), ainda não foi concluída. Nove casos foram notificados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e estão relacionados a procedimentos de aplicação de toxina botulínica (botox) realizados em uma clínica da cidade.

Enquanto o inquérito segue em andamento, pacientes que apresentaram reações graves relatam dificuldades para retomar a rotina e cobram respostas das autoridades. É o caso da dona de casa Flávia Helena de Carvalho Moreira, que passou por um procedimento estético em junho do ano passado, com o objetivo de amenizar linhas de expressão e rugas no rosto.

Após a aplicação, Flávia desenvolveu sintomas compatíveis com botulismo iatrogênico, como visão turva, fraqueza muscular e dificuldade para respirar. Ela precisou ficar internada por três dias e afirma que ainda lida com sequelas.

Ação judicial antes da conclusão do inquérito

Diante da demora na apuração, vítimas já recorreram à Justiça. A advogada Isabela Batista, que representa Flávia e um casal que também pode ter desenvolvido o botulismo, afirmou que ações judiciais foram ajuizadas mesmo sem o encerramento do inquérito policial.

“Apesar de o inquérito ainda não ter sido finalizado, já ingressamos com a ação de duas vítimas. Uma audiência está marcada para fevereiro. Buscamos a reparação pelos danos materiais, relacionados aos gastos desde o procedimento, e também pelos danos morais, principalmente pelo abalo emocional e pela falta de assistência”, explicou.

Procurada, a Polícia Civil de Três Pontas informou que o inquérito policial encontra-se em fase final, mas depende do recebimento de laudos periciais médicos, considerados indispensáveis para confirmar se as lesões sofridas pelas vítimas são, de fato, decorrentes da toxina botulínica.

Em nota, o órgão informou que novas informações só serão divulgadas após a conclusão da investigação, respeitando o devido processo legal e o sigilo necessário.

Foto: Ilustrativa

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Fonte - g1 Sul de Minas

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