Centro logístico de Pouso Alegre triplica de tamanho e movimenta US$ 250 milhões em 2026
28.05.2026
Espaço alfandegário ampliado concentra serviços federais, reduz custos e fortalece exportações.O Centro Logístico Industrial Aduaneiro (CLIA) de Pouso Alegre (MG) triplicou de tamanho e movimentou 250 milhões de dólares em mercadorias entre janeiro e abril deste ano, consolidando-se como um dos principais polos logísticos do Sul de Minas para importação e exportação.
A expansão, concluída em novembro do ano passado, atende à crescente demanda de empresas da região, que encontraram no espaço uma alternativa mais eficiente e estratégica para suas operações. Somente em 2026, já foram registrados mais de 3 mil processos e 1.500 operações com contêineres.
Um dos exemplos é uma multinacional instalada em Santa Rita do Sapucaí, que importa mensalmente 14 contêineres com materiais vindos da China. Os insumos são usados na produção de motores destinados a empresas da Zona Franca de Manaus. A unidade começou a operar em setembro de 2024, atraída pela localização e infraestrutura disponíveis.
Segundo o gerente da empresa, Sérgio Rodrigues, a logística via Pouso Alegre tem impacto direto nos custos e na operação.
“Nós usamos o que a gente fala de corredor Rio e Minas. Nós importamos as nossas mercadorias através do porto do Rio de Janeiro e nós removemos algumas delas para o CLIA aqui de Pouso Alegre, devido à localização dele, porque ele está antes da nossa unidade. Então, logisticamente falando, o custo acaba sendo mais interessante do que talvez enviado para outros retroportuários”, explicou.
Ele também destacou o papel do centro em questões fiscais.
“Principalmente porque em alguns casos específicos nós temos que remover a mercadoria para o estado de Minas Gerais para ter o benefício da exoneração do ICMS. Então o CLIA se torna uma parte importante nesse processo nosso de importação”, completou.
Localizado às margens da Fernão Dias e próximo a aeroportos de São Paulo e ao Porto de Santos, o CLIA oferece integração com o chamado “corredor Rio-Minas”, conectando operações ao porto do Rio de Janeiro.
A coordenadora comercial do CLIA, Edem Silva, ressaltou os diferenciais logísticos da estrutura.
“Hoje nós temos uma localização privilegiada aqui, às margens da Fernão Dias, muito próximo dos aeroportos de São Paulo e do Porto de Santos. E ainda nós oferecemos como diferencial uma conexão com o corredor Rio de Janeiro, com a ICTC Rio, um corredor no Rio Minas, que nós denominamos, que também traz algumas vantagens logísticas bastante interessantes nas operações de importação e exportação para a região”, afirmou.
O espaço alfandegário tem 12 mil metros quadrados e reúne serviços de diversos órgãos federais, o que reduz o tempo e os custos para empresas. Entre eles estão Receita Federal, Anvisa e Ministério da Agricultura.
“Muitos produtos têm anuência prévia da Anvisa ou Ministério da Agricultura e a liberação aduaneira é feita pela Receita Federal. Então hoje nós temos a presença desses órgãos aqui durante todo o processo de desembaraço aduaneiro”, explicou Edem.
Atualmente, as importações correspondem a 95% das operações no local, mas as exportações têm potencial de crescimento. Um exemplo é uma empresa de Pouso Alegre que exporta fornos para 50 países.
Nos últimos cinco anos, as vendas externas da companhia cresceram e hoje representam 25% do total. Os Estados Unidos são o principal mercado, com 10% das vendas.
De acordo com o CEO, André Rezende, a presença direta no país fortalece a atuação da empresa.
“Especial nos Estados Unidos, que é um mercado muito exigente, representa 10% das nossas vendas totais. No caso dos Estados Unidos, nós temos uma base própria nossa em Dallas, no Texas. Então nós temos um time, uma equipe, e lá dentro dos Estados Unidos, nós nos comportamos como um player local, como um fabricante local. Isso cria muita confiança e permite que a gente se desenvolva de maneira bastante positiva naquele mercado”, disse.
Em 2025, a empresa enviou mais de 3.200 equipamentos ao exterior, utilizando modais rodoviário, aéreo e marítimo, via Porto de Santos.
A ampliação da infraestrutura aduaneira no Sul de Minas é vista como um fator estratégico para novos negócios.
“Entendemos como uma grande oportunidade, estamos trabalhando e é bem possível que em breve a gente esteja utilizando essa infraestrutura que beneficia tremendamente a vocação exportadora aqui da nossa região”, concluiu o CEO.
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