Traves "Amaldiçoadas” da Copa do Mundo de 1950 estariam em Muzambinho

18.04.2014

Após o mundial, traves teriam sido trazidas para Muzambinho, pesquisa ajudará a comprovar se são as originais.

Uma lembrança da última Copa do Mundo realizada no Brasil, em 1950, pode estar guardada no Sul de Minas. As traves de madeira, que estavam instaladas no Maracanã na fatídica derrota para o Uruguai por 2X1 no dia 19 de julho, na final da competição, em pleno Maracanã lotado, hoje estariam na Casa da Cultura de Muzambinho (MG).

 

A história teria começado com o pai do contador Célio Sales, o senhor José Otaviano Sales, um incentivador do futebol da região e treinador do Muzambinho Esporte Clube, pediu ao então diretor da Administração dos Estádios da Guanabara (Adeg), o muzambinhense Urias Antônio de Oliveira, que fizesse a doação das vigas para o município. A requisição teve a mediação política do então prefeito Joaquim Teixeira Neto, cunhado de Urias.Na ocasião, as traves seriam trocadas por outras mais modernas, e assim, foram trazidas para o Estádio Antônio Milhão, em Muzambinho. As traves chegaram no ano de 1958, após 14 horas de viagem.

 

“Meu pai aproveitou a oportunidade de uma coisa que era considerada amaldiçoada no Rio de Janeiro para trazer um patrimônio histórico para Muzambinho. Lá com certeza as traves seriam jogadas fora”, explica Célio Sales.

 

Após as traves serem instaladas, teve até jogo de inauguração. O Fluminense do técnico Telê Santana enfrentou o time de Muzambinho. Hoje com 89 anos, o ex-jogador Adolfo Vieira “Corote” participou da partida e fez até gol.

 

“Naquele tempo ninguém lembrava das traves não, as pessoas lembravam do jogo. Eu queria ver a bola entrar”, disse Corote.

 

Para não descartar as balizas, que ainda não eram tratadas como relíquia, elas foram transferidas para outro campo na periferia, o estádio Jair da Silva.

 

Em meados dos anos 80, o produtor rural Nivaldo Sandy, outro amante do futebol, procurou o então prefeito Nilson Bortoloti e pediu as vigas para seu campo na zona rural. “Não importa de quem foi a iniciativa, mas o Nivaldo Sandy era um amante do futebol e o campinho era organizado”, lembra Bortoloti, 67, hoje vereador.

 

Depois de cerca de 20 anos na cidade, as traves foram para na zona rural do município. As traves permaneceram na zona rural por mais de 10 anos. Depois disso, as traves foram levadas para a Casa da Cultura de Muzambinho. No entanto, o filho do agricultor presenteado, Antônio Carlos Sandy, guardou um pedaço de lembrança.

 

“Uma vez teve um vendaval muito forte e um eucalipto caiu em cima da trave. Mesmo partida no meio, o meu pai arrumou com chapas de metal, mas com o tempo ela foi corroendo na base e não teve mais jeito de usar. Resolvi então guardar um pedaço com a última camada original”, revelou Antônio Carlos Sandy.

 

Na Casa da Cultura é possível ver uma das traves montadas, além de outros três pedaços.

 

Traves na Casa da Cultura
 

Outra versão
Apesar do depoimento dos moradores de Muzambinho, existe uma outra versão para o destino das traves. O livro ‘Queimando as Traves de 50’ conta que o goleiro Barbosa, que sofreu o gol de Gighia naquela final, teria dito que ganhou as traves e queimou a madeira em um churrasco. Versão que o historiador Fernando Magalhães não acredita.

 

“Existe esse depoimento do Barbosa que poderia ser entendido como metáfora, uma brincadeira dele. Mas a gente tem que respeitar também a memória do jogador que foi um grande goleiro - afirma o historiador.

 

Pesquisa
Para ajudar a esclarecer a dúvida, um pedaço da madeira está sendo analisado no Laboratório de Anatomia da Madeira, na Universidade Federal de Lavras, também no Sul de Minas. O professor Fábio Mori explica como funciona o trabalho.

 

“Temos umas 800 amostras de madeiras brasileiras totalmente catalogadas e essa madeira das traves não bateu com nenhuma amostra que temos aqui. Vamos agora tentar identificar essa espécie e verificar o histórico da Fifa para saber qual é a madeira que eles compraram para fazer essa trave”- alega o professor.

 

Os Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, e mais recente, o Museu do Futebol, em São Paulo, queriam as traves em seus acervos. População não permite, mas parcerias são estudadas.

 

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Fonte - G1 / Jornal O Tempo Autor - Fagner Passos

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