Carmo do Rio Claro cobra aumento em seu efetivo policial

23.08.2016

Defasagem de pessoal e falta de investimento em estrutura são apontadas como causas do aumento da violência na região.

Em audiência pública realizada nesta terça feira (23), produtores rurais, empresários, bancários e autoridades de Carmo do Rio Claro  solicitaram aos deputados da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que cobrem do governo mais efetivo policial e investimento nas forças de segurança na região.


A audiência pública que  tratou  principalmente do aumento da criminalidade no município e cidades vizinhas, aconteceu  a pedido do deputado Antônio Carlos Arantes.


O prefeito de Carmo do Rio Claro, Sebastião Lemos, explicou que o município tem sido penalizado pela situação financeira de Minas. Segundo ele, os repasses de ICMS estão sendo atrasados e, quando feitos, com valores abaixo do esperado. Com isso, os convênios com as Polícias Civil e Militar estão prejudicados e os registros de roubos são quase diários. “A estrutura de segurança está sucateada e falta dinheiro para o investimento. O município não aguenta mais esta situação”, disse.


O presidente da Câmara Municipal de Carmo do Rio Claro, vereador Wilber Moura, lamentou o fato da cidade enfrentar uma situação que é reflexo do que vem acontecendo em todo o Estado. Para ele, falta planejamento municipal e há omissão do Poder Executivo estadual no que se refere à segurança pública.


Diante deste cenário, o procurador de Justiça da cidade, Bruno Freitas, defende que sejam enviados novos policiais concursados para a região. Ele pediu aos deputados que auxiliem no processo de negociação com o Executivo, tendo em vista que novas turmas de profissionais estariam encerrando seu treinamento.


O representante da OAB de Carmo do Rio Claro, João Régis David, entende que o governo estadual está engatinhando no que se refere à defesa social e que a sociedade mal tem sido atendida em suas necessidades básicas. “As populações do campo e da cidade estão expostas aos criminosos. Falta efetivo e viaturas”, reforçou.


Produtores rurais migram do campo por medo da violência
O aumento dos assaltos a propriedades rurais têm provocado, em Carmo do Rio Claro e região, um êxodo rural, de acordo com o presidente do Sindicato Rural de Carmo do Rio Claro, Tony Reis. “A insegurança na cidade é crítica e na zona rural é assustadora. Todo furto no campo sequer recebe viaturas para lavrar o boletim de ocorrência. Os produtores precisam se deslocar para fazer o registro”, explicou.


O representante dos empresários de Carmo do Rio Claro, Rogério Iunes, reforçou a informação, ao dizer que já foi assaltado nove vezes e a Polícia Militar não tem, muitas vezes, viaturas para fazer o atendimento. “A cidade está abandonada”, lamentou.


O presidente do Sicoob Credicarmo, Rodrigo Reis, disse que a cooperativa está presente em mais de 450 municípios, mas que diversas agências estão sendo fechadas por falta de segurança. Ele acredita que a violência no campo também é crescente, o que vem provocando o êxodo dos produtores rurais do campo para as cidades.


Segundo ele, de janeiro deste ano até agora, foram subtraídos R$ 12 milhões em assaltos a mão armada e explosão de caixas eletrônicos. Para ele, é preciso cobrar o governo para que o cenário seja modificado.


O gerente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Guaxupé (Cooxupé), Luiz Fernando, também destacou que o município é agrícola e os produtores rurais estão com medo. Assim como os demais, ele pediu que haja mais investigação e investimento em segurança pública na região.
Polícia Civil defende mais efetivo e apresenta alternativas


Responsável pelo atendimento a 55 municípios e mais de um milhão de habitantes no Sul de Minas, o chefe da Polícia Civil de Poços de Caldas, Bráulio Stivanin, afirmou que enfrenta o problema da falta de efetivo policial e estrutura com esforço e planejamento.


De acordo com ele, os crimes contra o patrimônio, em especial assaltos a bancos e explosão de caixas eletrônicos, vêm crescendo, mas, em compensação, os homicídios apresentam queda. “Têm sido feitas investigações com bons resultados no que se refere a assaltos a bancos, mas as divisas estão abertas e a região é próxima ao Estado de São Paulo, de onde também vêm quadrilhas de criminosos”, salientou.


O delegado de Polícia Civil de Alfenas, Thiago Gomes Ribeiro, acredita que o diagnóstico é claro: a polícia padece de ausência de efetivo e investimento para custeio. Hoje, relatou, há apenas dois investigadores na cidade, mas, mesmo com esta dificuldade, tem realizado operações, que vêm prendendo criminosos envolvidos em explosão de caixas eletrônicos.

“Os bandidos são perigosos e estão muito bem equipados. Não estamos conseguindo prevenir de forma adequada, mas estamos tentando atuar da melhor forma possível”, concluiu o delegado.


Deputados cobram mais investimento do governo
O deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB) alertou que a criminalidade no campo e na cidade crescem e o governo não tem feito os investimentos necessários para o combate. Ele avalia que o Estado aumenta impostos e não dá retorno para a sociedade. “O êxodo rural no Sul de Minas é consequência da violência no campo. Os bancários da região também estão preocupados e apreensivos”, lembrou.


Em sua fala, o parlamentar destacou que pretende criar, por meio do PL 3.749/16, de sua autoria, um Plano Estadual de Segurança e Defesa no Campo, com o objetivo direcionar mais recursos com este objetivo.


O presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PDT), reforçou as palavras de Antônio Carlos Arantes; criticou o governador, que teria feito promessas de campanha de aumento nos gastos com a defesa social e estaria fazendo o oposto; e citou dados que mostram a redução no aporte financeiro do governo estadual em segurança pública.


Sargento Rodrigues afirmou que houve redução no investimento para a Polícia Civil de R$ 36 milhões para R$ 4 milhões, entre os anos de 2014 e 2015, e de R$ 150 milhões para R$ 95 milhões no custeio, no mesmo período. Em relação à Polícia Militar, a queda teria sido de R$ 48 milhões para R$ 9 milhões em investimento.


Finalmente, o deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) defendeu que os municípios incluam em seus orçamentos o investimento em segurança pública, mas disse que é preciso uma contrapartida do Governo de Minas para que o trabalho seja feito com eficiência para a população. Para ele, não existe, hoje, o planejamento financeiro para os servidores e para a estrutura das polícias.

 

*Foto:ALMG.

 

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Fonte - ALMG

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